Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Hoje...

Li as previsões do tempo para amanhã. Vai chover intensamente e o céu estará nublado. O sol anda deprimido ultimamente, parece que vai ser hipócrita o dia todo. Mas, enfim, também é só mais um dia e nada de excêntrico estava nos meus planos.

 

Olhei para uma foto minha. Tinha quatro anos. Não consegui evitar o olhar penetrante da menina. Os meus olhos focavam-no. Para além de enviarem momentaneamente a imagem ao meu cérebro, deviam estar, também, a verem-se reflectidos.

Não consegui lembrar-me do meu interior naquela altura, apenas me lembrava vagamente de um sítio, onde fui fotografada. Uma memória tão fracturada que já não sei se a sua fonte será fiável nem há maneira de saber.

Que estaria a pensar?!  

 

Acabei por me distrair com o toque do telemóvel, era o meu pai. Definiu-me um número incerto de tarefas e a chamada caiu. Mal ouvi o que disse, ultimamente não me apetece tomar atenção e partido das palavras que lhe saem.

 

Guardo a foto. Não me apetece ficar nostálgica aos quinze anos, nem coisa que se pareça. E, a última coisa que quero ver, são fotos da minha prima, portanto, vou distanciar-me das imagens físicas já que não consigo evitar a memória.

 

Cada vez mais, me sinto segura para achar que existem pessoas perfeitas, com qualidades objectivamente boas.

 

E, a única coisa que sempre pensei ser a mais problemática, está a ser, no entanto, a mais bela de todas. Os nossos sentidos ousam sempre enganar-nos.

 

Volto para a beira da janela, onde me encontrava inicialmente, a observar o tempo de hoje e a previsão de amanhã no televisor. Tanta gente passa por aqui, casualmente. Em mim ficará a memória daquelas que passaram.

Quem sabe, o observador ideal do Mundo e das coisas não esteja numa janela perto de nós, focando-nos o olhar e julgando-nos a cada passo. Nunca ninguém o conhecerá, ele nada faz senão ver-nos. A sorte, essa, dependerá de cada um.

 

A lua apareceu e eu voltei para o meu sofá e refastelada, adormeci.

publicado por Afonsinetes às 20:15
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Complicações derivadas da questão

Está tudo estagnado. Há muito tempo que me tinha apercebido que não iria haver futuro amanhã. Pelo menos, o verdadeiro significado da palavra “futuro” não é uma continuação de o dia de ontem, não é uma repetição um tanto pouco diferente.

Entrei num novo ano. Tenho a noção de que em trezentos e sessenta e seis dias, alguns desses serão momentos inesquecíveis. Mas eu não procuro meros momentos, muito menos que marquem pela negativa, apenas quero encontrar-me, neste mundo vasto e confuso.

 

Desejo um papel importante nesta vida insignificante, quero a vida eterna embora hajam dias em que não me apetece vivê-la.

A verdade é que eu amo a vida, melhor do que qualquer outro, mas não a minha. A verdade é que eu amo a vida que gostaria de ter e que penso que alguém está a tê-la por mim…

Sinceramente, gostaria de encontrar algo diferente em mim, diferente de todos os seres que me assemelham, mas, para meu desconsolo, até isso é-nos comum. Chamem-me egocêntrica, débil, insana…ou simplesmente, humana! Não me importo com o que me chamarem, afinal a minha estadia por cá, não é eterna.

E nada é eterno, nem sequer um “para sempre até que a morte nos separe” é, porque a vida é injusta. E, porque o Homem é um insatisfeito.

 

A cronologia da minha vida perdeu-se nas curvas. O que apenas deveria aparecer-me só daqui a uns anos, quando já nada interferisse com o livre-arbítrio e com a natureza dos acontecimentos, apareceu-me hoje, ou há uns meses e ainda continua. Como poderei eu segurar isto tudo, até “daqui a uns anos”?! Não poderei, essa seria a resposta lógica. Mas o pensamento mais breve e talvez, o melhor de todos, seria:

“Porque hei-de me preocupar com todos estes assuntos se vou morrer e ser esquecida?”

 

E, agora, a maior crueldade de todas – Como posso viver “o momento” com o medo a correr-me nas veias? E com tantos obstáculos?! Chamar-se-á, a isso, viver?!

O que quer que chamem a isso, é irrelevante quando ontem te senti, e me aqueceste. Quando bebi o champanhe de um só gole e pensei nele, quando sorri porque ouvi a sua voz gravada na minha memória…

 

Estou repleta de coisas dele…nossas, quero eu dizer…Já me habituei aos ornatos, que ele encaixou na minha silhueta pobre que cisma em valorizar. Estão-me cravados na pele, na alma e nos outros adornos próximos de mim.

O amor misturou-se por fim. E fico, então, onde sempre estive, pairada sobre o tempo a tentar adivinhar o sabor final desta nobre solução aquosa..

Amo-te.

 

Ps: Devo ter-me inspirado nuns quantos textos que li, ultimamente ando sem inspiração.

publicado por Afonsinetes às 19:09
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