Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Nem mais!

Capitão Romance

Ornatos Violeta

 

Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Parto rumo à primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu
Esperam-me ondas que persistem
Nunca param de bater
Esperam-me homens que desistem
Antes de morrer
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou

Eu vi
Mas não agarrei

Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro pra sentir
E dar sentido à viagem
Pra sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz coragem
Volto a partir em paz

Eu vi
Mas não agarrei

sinto-me: feliz, apesar de tudo
música: Is this love-Bob marley
publicado por Afonsinetes às 20:06
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Domingo, 15 de Abril de 2007

Champanhe

Sagrado, brilhante e reluzente copo de champanhe que olhais para mim
Não me faças beber mais, mas dá-me a felicidade que preciso
Alegra-me nos bons e nos maus momentos
Aquece-me, mas não muito
Nunca se sabe o que poderá acontecer
A uma nunca antes provadora de álcool
Mas não sejas o fruto proibido tão desejado
Sê apenas a minha felicidade uns instantes
Sê o corpo e a alma que me faz viver
Sê a força que me faz sorrir longos e longos minutos
Sê o esquecimento de verdades obscuras
Nunca te apoderes de mim querido copo
Nunca te vicies a mim
Nunca te enchas mais que uma vez
Se não será o fim do meu longo cargo
Será o esquecimento de uma longa memória
Será o desaproveitamento de palavras esgotadas
Será o esquecimento de palavras menos elegantes ditas
Será o esquecimento de alguns actos menos gloriosos
Bendito copo sejas que alegra a minha ingloriosa vida!
 
OH YEAH! Até me saí bem! “Rir e beber meio copo de champanhe é a cura para todos os males”by ricky, adaptado por Afonsinetes.
sinto-me: OH YEAH
publicado por Afonsinetes às 19:32
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Cansada

Estou cansada! Sinto-me completamente esgotada de tudo, e no final de contas de nada!
O cansaço chega a ser tão intenso que me rouba paciência para pensar sequer em ter paciência para determinado problema, exercício, ou estudo.
Pergunto-me por dia, uma mão cheia de vezes, por que razão me sinto assim, encontro sempre razões. Todas elas acabam num ponto final, porque sem nenhuma excepção, todas elas são completas e concisas.
Seria um absurdo falar de todas estas minhas razões, já que ninguém acredita serem verdadeiras, ficam-se mais pela teoria da adolescência, sem por vezes verem o essencial.
Quem me pode ajudar, pura e simplesmente acha, que dizendo que é passageiro e próprio da idade me fará passar, mas e seu eu disser com todas as minhas forças que estou a sofrer mesmo?! Alguém repara em mim?!
Antes fosse uma paixoneta, ou um capricho, ou até mesmo uma crise hormonal, antes fosse qualquer outra coisa de que eles acham normal, seria tudo muito mais fácil de ultrapassar.
É verdade que há sempre Aqueles que me ajudam verbalmente, pois nada mais poderão fazer, e parecendo que não, é uma óptima ajuda porque torna mais ameno o sofrimento…mas e aqueles que algo podem fazer para MUDAR?
Pois é, aquele velho ditado diz tudo, (“Deus dá nozes a quem não tem dentes”), diz-me tanto que chego a pensar como seria não ter nascido assim nestas condições, como seria se tivesse tido outra vida, como seria tão mais fácil se fosse do sexo oposto, seria bem mais feliz por certo…ou não! Pois se tivesse desde já essas regalias iria procurar um outro sofrimento para me ocupar. É assim mesmo, quanto mais temos mais queremos.
Mas de todas as outras dúvidas, que dessas nem vale a pena falar, a de que eu não estava a imaginar sofreres, foi das únicas em que senti uma enorme necessidade de me esclarecer, não fosse eu a andar a imaginar coisas.
Esclareci-me e é verdade, algo de errado se passa com a minha vida, pois não bate certo com a de Todos os outros.
Além de todos estes sofreres ainda tenho a responsabilidade acrescida que por eu saber gostar das pessoas, também me ocupam a mente com questões do tipo: “Porque é que acontece isto, e logo a ele/a?”
E além da minha “ menos contente felicidade” (private jk) , ainda tenho em cima de mim todas as infelicidades daqueles que verbalmente me conseguem pronunciar “menos contente felicidade/fase menos boa”.
“Quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim”-Florbela Espanca (ainda que o ricky ache que nada e melhor que a verdade mesmo sendo uma mentira feliz)
 
 
sinto-me:
publicado por Afonsinetes às 18:51
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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Imaginem vcs o titulo

Sliver
Nirvana
Composição: Kurt Cobain, porem adaptado por Afonsinetes
Mom and dad went to a show
They dropped me off at grandpa joe's
I kicked and screamed, said please, no

Grandma take me home
Wanna be alone

Had to eat my dinner there
Mashed potatos and stuff like that I couldn't chew my meat too good

Grandma take me home
Wanna be alone

Said, why don't you stop your crying
Go outside and be with your friends

But I can't cause dad doesn't let me



Grandma take me home
Wanna be alone

After dinner, i had ice cream
I fell asleep, and watched tv
I woke up in my mother's arms

Grandma take me home
Never take me home
Grandma take me home

Wanna be alone
sinto-me: presa, foi o boneco+apropriado
publicado por Afonsinetes às 19:26
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Qualquer coisa parecida a um auto-retrato

Auto-retrato
Escolhi certamente a coisa mais difícil para escrever, é possível que eu não saiba descrever uma pessoa que me persegue desde que me tornei num embrião? É um absurdo, sinceramente nunca consegui perceber este dilema, é que não tem a menor lógica!
Muitas vezes penso que para me descrever, tinha de criar uma folha para cada pessoa que me conhece, porque cada uma conhece-se de uma maneira diferente. Eu não digo palavras iguais a todos, nem tenho os mesmos afectos com todos, mas a imagem que um por um criou de mim fariam ao que eu chamo um auto-retrato.
As fases da vida nunca foram iguais, a mentalidade também está em constante evolução, e estes dois factores interferem fortemente nas palavras e nos relacionamentos e até mesmo nas pessoas que queremos relacionar.
De uma maneira geral, esta folha dedicar-se-á justamente e apenas a este momento em que escrevo. Daquilo que tenho certeza, é que mais tarde acharei este texto ridículo, como me sempre acontece, mas se algum dia eu não tivesse a experiência dele nunca poderia ter evoluído nos aspectos que achei ridículos…
Se me pedissem um sinal de pontuação para me representar, não escolheria reticências nem mesmo uma vírgula, nem um ponto final, seria um ponto de interrogação, comprido e esguio, com um ponto por baixo da parte que acabei de descrever e que me persegue nesta fase horrenda por que passo. Isto porque o meu dia-a-dia é feito de perguntas, dizem que só aquela fase muito conhecida das crianças é uma de perguntas, mas enganam-se!
Se eu nunca tivesse descoberto este novo mundo, nunca teria curiosidade em percebê-lo e senti-lo, estas são as palavras de quem percebe e de quem me respondeu…
Mas o problema situa-se aí mesmo, eu já tinha descoberto este mundo há muito, mas via a minha hora longe e sem pressa, sem preocupação…
Agora cada dia que passa, sinto uma pressão vinda de não sei onde, estão a ver mais uma questão…
Tudo é novo e confuso, isso já sabia, mas se isto é tão bom como dizem não deveria fazer-me saudades do passado certo? Não me fazia olhar sempre para o relógio com uma periodicidade certa e regular…
 ****************************************
Escrevi este texto há alguns dias, estava destinado a ser um auto-retrato, nas primeiras linhas ainda respeitei mas depois encaminhei-o para outro tipo de texto, não quis alterar o título pois teria de apagar ou modificar parágrafos...
publicado por Afonsinetes às 12:08
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

--------------**

Acordei com a sensação que iria ter um dia agradável, daqueles dias que não tenho há tanto tempo, que até a memória já os apagou, mas desiludi-me…

A audácia da esperança faz-me acordar assim, sempre com vontade de viver mais um dia, de respirar, de falar, de pensar, de escrever, mas bastaram-me alguns minutos para perceber que este dia era só mais um desta fase.

Quando me apercebi, as minhas pálpebras descaíram, o meu olhar ficou nublado, e o meu sorriso desvaneceu-se.

Liguei o computador, como faço todos os dias, lá escrevi no endereço do explorador da Internet – www.otherplaceofmind.blogs.sapo.pt, e fui ver a contagem de comentários, esta permanecia exactamente igual à de ontem, e então expiro e com esse expiro partículas de desilusão partem para o exterior, são livres! Pelo menos parecem ter mais sorte que eu, são livres…ainda soa na minha cabeça…

De seguida, vou ver quem está no Messenger para me aturar, com estes desabafos e suspiros do dia, com esta pessoa irreconhecível que se apoderou de mim, e lá vejo grandes amizades, abro as respectivas janelas e abordo-lhes com um – olá, tudo bem?, quando se dirigem para me perguntarem se eu estou bem, respondo-lhes que sim, mas eles sabem a resposta, e eu também, penso que se fizer um esforço para julgar que estou bem, fico bem mesmo!

Eu posso não ser a única coisa boa no dia deles, mas eles são a minha, posso até nem ser uma coisa boa, mas eles aceitam-me sempre, tal e qual eu estou, tal e qual me sinto, e é uma das poucas coisas agradáveis no meu dia.

Pratico estratégias para melhorar o dia, como ouvir música, ler, escrever no blogue, mas estas quatro paredes são insuportáveis, este ecrã que me separa deles é insuportável, tudo é insuportável, chego a ser insuportável para mim mesma.

Interiorizo bem as letras sossegadoras das músicas agradáveis que me acompanham o dia, pensando um dia na possibilidade de ser livre, de sair, de socializar…

A televisão também é uma amiga fiel e companheira, mas nem sempre agradável…

Em quatro paredes, fechada, só penso na possibilidade de desaparecer, de acabar com o outro problema aterrorizador, a saudade, de dormir muito e acordar num dia que me pareça agradável mas que o seja na verdade!

 Posso gritar? Apetece-me fazê-lo bem alto pedindo para desaparecer!

Afonsinetes

 

 

sinto-me: de pálpebras caídas
música: Sliver-Nirvana
publicado por Afonsinetes às 16:03
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Domingo, 1 de Abril de 2007

"Para a minha irmã" -Jody Picoult

(...) Eu nasci para um fim muito específico. Nao fui o resultado de uma garrafa de vinho barato, ou de uma lua cheia, ou de um entusiasmo momentâneo. Nasci porque um cientista conseguiu ligar os óvulos da minha mae e os espermatozóides do meu pai para criar uma combinação específica de material genético precioso. De facto, quando o Jesse(irmão da narradora) me contou como é que se faziam os bebés e eu, grande céptica, decidi perguntar aos meus pais a verdade, ouvi aquilo que não queria. Eles fizeram-me sentar e contaram-me todas as coisas habituais, é claro-mas também explicaram que me tinham escolhido especificamente a mim quando era um pequeno embrião, porque eu poderia salvar a minha irmã Kate. A minha mãe fez questão de me dizer que ainda gostava mais de mim porque sabia exactamente o que ia esperar.

No entanto, fez-me pensar no que teria acontecido se a minha irmã tivesse sido saudável. Se calhar ainda estaria a flutuar no céu ou onde quer que fosse, à espera de me ligar a um corpo para passar algum tempo na Terra. De certeza que não faria parte desta família. Vêem, ao contrário do resto do mundo livre, eu não cheguei aqui acidentalmente. E se os nossos pais nos tiveram por uma razão, então é bom que essa razão exista. Porque assim que ela desaparecer, nós desaparecemos também.

(...) A  verdade é que eu nunca cheguei a ser uma criança. Para ser sincera nem a Kate nem o Jesse foram. Acho que talvez o meu irmão tenha tido o seu lugar ao sol durante os quatro anos de vida antes de ter sido diagnosticada a doença de Kate mas, desde essa altura, temos estado demasiado ocupados a olhar para trás para corrermos em frente e crescermos. Sabem, a maior parte das crianças pequenas pensa que é como as personagens dos desenhos animados-se uma bigorna lhe cair na cabeça, consegue sair do passeio e continuar a andar? Bom, eu nunca acreditei nisso. Como poderia aceditar, quando praticamente pusemos um lugar na mesa de jantar para a Morte?(...)"

 

 

in "Para a minha irmã" de Jody Picoult

 

publicado por Afonsinetes às 16:40
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