Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Confessando algo

Querido diário:
Preciso confessar-te algo, preciso de dizer uma coisa que até então nunca foi pronunciada, preciso de escrever e de desabafar aquilo que enche o fundo que deveria ser vácuo.
Há muito que precisava contar-te que a minha vida é algo que parou no tempo, inanimado, não se mexe, não fala, não sente…É um livro, não há melhor comparação, um objecto sem vida porém cheio de verbos e predicados na terceira pessoa que se conjugam alegremente provocando movimentos nos demais. Se eu te dissesse que de uma descrição pertenço, talvez a tua ideia ficasse mais clara quanto à minha situação.
Posso garantir-te que me sinto bem, não me posso queixar, sinto que não tenho esse direito. Estou mais numa onda do imprevisível, isto é, hoje estou bem mas amanhã posso já estar morta, nada nem ninguém me garante e me fixa à terra e ao mundo e à vida, nem ele, que pensara ter sido o salvador da fase negra me consegue, já, fixar…talvez porque anseio com saudades a sua imagem, saudades daquilo que vi apenas a duas dimensões, sendo então a terceira a que conta no realismo…quero o além, o além da Taprobana…
É por isso que já nada me satisfaz, a cada dia que passa, desejo sempre pleonasmos de sonhos anteriores, um por um fazem-me ansiar o amanha não com vontade de viver porque a vida é bela, mas sim, porque pode vir a ser!
A minha mente é pesada, lá tenho de guardar todos os pensamentos longínquos e fatigados de todas as 24 horas em que penso, já não bastavam os sonhos, e depois de tão cansativa que ela se torna acaba sempre na sua própria antítese, pois com violência elimina todos os desejados pensamentos por que foi obrigada a pensar e nisto acresce a desilusão de os concretizar.
Eles sempre me disseram que vale sempre a pena tentar quando a alma não é pequena, mas e quando não se pode sequer tentar?!
Qual será a alma que quererá ser metade da minha? Pergunta pertinente! Olho em redor e vejo multidões de várias faixas etárias, mas reparando, principalmente, na camada jovem e vejo-os com sorrisos rotineiros e repletos de realidades felizes vivendo sonhos da vida incerta que por certo acabarão e ficarão suspensos ali…Mas encontram sempre alguém com quem partilhar um beijo, ou até mesmo o corpo sem se preocuparem se será eterno…intriga-me!
Serei demasiado orgulhosa para me entregar a algo passageiro? E pergunto mais uma vez, qual será a alma que quererá ser metade da minha? Se de desejar o impossível sou e de inventar dor por não saber bem ao certo aonde dói?
Complexos me rodeiam a mente, ora com a minha personalidade ora com a minha pessoa, que hei-de fazer eu?
Vivo suspensa nas incertas dúvidas não querendo assumi-las para não mostrar aos normais que duma anormalidade completa sou, sou uma descrição num meio dum livro aberto, esquecido e cheio de pó...
 
sinto-me: normal
publicado por Afonsinetes às 21:11
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