Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Consider me a satelite forever orbiting

 
Tudo orbitou. O pó exagerado foi limpo da estante mais alta e inatingível, do topo do móvel mais bonito da casa. A estante cobriu-se de ar, de um ar novo mas usado. Nada lhe dará o brilho ingénuo e sem medo, mas ele volta. Não foi por acaso que a estante se ergueu, foi um trabalho árduo e demorado até se conseguir instalar uma torre tão alta… como se fossem legos na mão de uma criança, e qualquer criança tem o seu toque de desajeito, porque não sabe, porque é nova…e tão rápido se ergueu como voltou a cair. Era uma torre bonita, que parecia resistente, embora os dias seguintes lhe fossem mostrar que havia legos melhores e mais caros de se comprar. O mundo tem uma cadeia infinita de coisas, de lugares, de paraísos, que se fazem diferenciar pela qualidade, mas uma casa melhor não deixa de ser uma casa e um quarto com vista para o mar não deixa de ser um quarto … A experiencia leva a um certo tento nas mãos da criança desiludida.Também o pecado nasce, e nasce ingénuo e inconsciente aliado ao desejo que é grande e incontornável, e eu, eu queria o mundo cheio de torres e estantes. Era sempre assim que adormecia, cheia de vertigens, queria o céu e o mar visto de outra perspectiva, queria que o estado de tempo fosse diferente todos os dias do sítio onde o céu me abraça. Queria liberdade.A minha alma sorria se tivesse liberdade suficiente para esquecer os meus falhanços, o meu espírito libertava-se das correntes da mente, impostas pela sociedade que tantas úlceras originam; o meu corpo desalojado preparava-se para se albergar nos cantos de outra estante ainda maior. O pecado consegue isso. É bom estar-se no pecado quando o bem já não tem mais uso possível. E é bom porque se perde o medo de tentar também.Ontem bebi desse pecado vertiginoso. Gole por gole, até chegar à gula da satisfação, da sorte, do desejo, da tentação e ouvi a música que não ouvia há tanto tempo, ouvi o som com o coração e a alma, explodi de felicidade momentânea e senti-me…em casa. Há muito tempo que a certeza jazia em mim de que nunca mais sentiria o palpitar da mesma intensidade que senti, que jamais algum ser da mesma espécie me fazia florescer da mesma maneira que…Mas também parte de mim se esquece que sempre me enganei, e que sempre tudo me induziu em erro mesmo a certeza da certeza. Cheguei mesmo a ouvir um amo-te do outro lado da linha, como se não houvesse amanha, cheguei mesmo a recordar-me do sentimento nostálgico, mas não com pena, afinal não era uma recordação…era mesmo um momento. Atingi o ponto, mais uma vez. E, toda a água fervida arrefece. “E percebi: Eu gosto! Eu adoro! Eu amo todos os que se entregam de tal forma que deixam de ser indivíduos, unos e incompletos.”
publicado por Afonsinetes às 18:48
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1 comentário:
De sá morais a 25 de Janeiro de 2009 às 15:50
Um bonito e intenso texto. Parabéns! Desculpa andar um pouco arredado de visitas a blogs, mas prometo passar por cá com mais regularidade, logo que tenha tempo.

jinho!

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