Terça-feira, 22 de Maio de 2007

confessando II

Querido diário:
Apetece-me mutilar a minha alma, simplesmente porque já eram longínquos os rumores de que se tratava de uma dita cuja em vias de extinção, e agora o caso chegou aos extremos limites da sagrada paciência.
Ora tudo tem um fim, isso todos nós sabíamos até tu, onde te escrevo inanimado, sossegador mas porém silenciador do que a tua alma te conta, sabias…Sabias o quanto desesperava andava com estas saudades arrancadas de um sítio que nem sei bem onde, sabias que eu amava também aquilo que me foi tirado outrora, e sabias que um novo amor se tinha convertido a ódio puro e cheio dele.
“Hoje o desejo, amanhã o ódio”, adoro esta concisa e objectiva frase, não é a primeira vez que ela me acontece nem será certamente a última!
Também não tenho mais algo vago em que pensar, já está tudo tão pensado e desgastado que contagia todo o meu espírito e a chefe dele…”A mocidade de hoje está podre”, como diz a minha avó, se é verdade ou não, não sei por um lado nunca vivi outra mocidade por outro a minha avó também não, mas esta frase não veio a propósito de eu discutir este ponto em particular mas sim também para te lembrar, diário, que também eu estou podre e acabada mesmo antes da morte física.
Eis a questão: Haverá, também, julgamento final para quando a alma desfalece? Haverá um diabo e um anjo que as julgará? Haverá m destino final para elas?
Isso nem é muito relevante, ora para o inferno ora para o paraíso que é certo é que elas voltam a nascer mais vivas que nunca! Pois…mais vivas que nunca, isso aconteceu-me! E agora? Voltei a desfalecer?! NÃO! Há sofrimentos que não merecem sequer o estado de luto, são vícios dos humanos que implicam com a dor, repudio-me por isso, e quando o faço sinto a minha alma renascer-se, mas não porque o sofrimento permite, mas sim porque a vontade resultante do orgulho é muita. E é neste preciso momento que o ódio fortalece e personifica a minha personalidade e de repente um novo estado de espírito e entra em acção.
Se eu fosse já julgada o que me diriam?! O perfeccionismo é conseguido através deste acto, pensar naquele que nos quer bem e depois arrancar a mente do dito cujo e pensar com ela. Não é tarefa fácil!
Não é tarefa fácil suportar a dor da ultrapassagem da linha amor-ódio como também a dor da desilusão de não poder abraçar quem já se viu outrora a três dimensões, mas que por razões do destino passaram a ser duas, que só serão apreciadas se o tempo e disponibilidade bem entenderem. Foi-me doloroso não atender um telefonema ontem, foi sufocante e cortante e ao mesmo tempo débil e estúpido, podes não acreditar mas nem tudo o que está vivo permanece vivo, pois uma simples e alargada distância matou por completo o grande laço de afinidade.
E fico eu vagueando nestes redundantes e oblíquos pensamentos pensando um dia na possibilidade de todos os meus constantes sonhos e desejos concretizarem-se e ao mesmo tempo que penso, perco mocidade, vida, vivências, e até mesmo a possibilidade de ter uma vida melhor mesmo com todos estes sofreres.
publicado por Afonsinetes às 19:40
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3 comentários:
De Cöllyßry a 22 de Maio de 2007 às 19:55
Minha querida, a vida é uma caminhada de sofrer, aceitando se ultrapassa com menos, o odio seca nosso coração, penso nissso , meu doce beijo________
De TiBéu ( Isa) a 25 de Maio de 2007 às 00:10
Muito bem escrito, tinha que ser mesmo teu. Beijo cheio de amizade.
O teu blog está lindo
De Ricky a 3 de Junho de 2007 às 21:41
Ouvi uma frase num filme que dizia: "Preciso de força para aceitar as coisas que nao consigo mudar na minha vida, e de mais força ainda para mudar as que consigo."
Aceita a distância, mas não caias nessa armadilha, nao caias no contentamento...nao te contentes...faz-te feliz.

Beijoca =) adorei o texto **

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