Terça-feira, 8 de Maio de 2007

Texto fictício

“Ela quer matar-se, quer exterminar a sua alma, quer fazer morrer todo o sofrimento pelo qual a vida lhe obriga a aguentar, ela precisa simplesmente de partir…

Ninguém jamais perceberá a dor de Inês, nem o seu desejo, pior do que desejar algo é desejar algo impossível de se concretizar, ela seria incapaz de pôr fim à sua triste vida, apenas porque acha que esse direito só a Deus compete.

Isso não apaga, nem nunca apagará a insaciável vontade de desaparecer, pelo contrário, acresce o desejo.

Sabe sofrer de uma forma enfraquecida, que lhe enfraquece todas as forças e coragem para saciar este irremediável pensamento que, na sua cabeça, ora intensifica ora desvanece, ora violento, ora racional.

Inacreditavelmente, Inês tem uma paixão grandiosa pela vida, e por isso mesmo, isto é, pela grande desilusão que lhe bate à porta, sente que não deve sofrer mais, pensa que a vida é para ser vivida de sorriso na cara, e se não lhe é dada tal possibilidade então para quê viver?

Nasceu com a paixão magnificiente pela vida no sangue, nasceu apaixonada e pronta para sorrir sempre e para sempre…Pena que Inês nunca tenha pensado que algum dia poderia ter vontade de não viver. Achava que tinha nascido para triunfar vitoriosamente ou não na sua alegre vida e que tinha finalmente descoberto a razão pela qual ela se encontrava ao lado de todos os outros mortais.

Ter vontade de não viver é um dos mais puros egoísmos e isso faz Inês odiar-se cada vez mais.

A destruição da alma humana é uma morte recuperável, sempre a morrer e a renascer, somos Inverno, Primavera, Verão e Outono, este em particular, quando a destruição nos bate à alma amiga.

O Inverno de Inês é um dos mais violentos e mais chuvosos, só a ela lhe bate um igual, e só ela justamente poderá fazer reflorir a Primavera deveras adormecida…

Ninguém prevê se é o último Inverno por que passa, nem quanto tempo precisará o tempo para renascer a dita cuja estação.

Suplica ela, todos os pores-do-sol, para que a alma não deixe passar a negra tristeza para o corpo, porque enquanto sofrer por não se poder matar terá plena consciência que isso nunca acontecerá.” by me.

publicado por Afonsinetes às 19:29
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4 comentários:
De Sr. Dr. Ricky a 8 de Maio de 2007 às 21:40
Muito bem escrito...e elogias-me tu? Bolas, sinto-me lisonjeado!

O que Inês tem de compreender é que a vida nunca é como nós a planeamos...altera-se sempre um bocadinho, ou completamente! Isso não quer dizer que nós não nos movamos, e não nos conduzamos para o nosso verdadeiro objectivo, mesmo sabendo que ele não se realizará.
Pois se eu sei que´o mais provável é eu não ir trabalhar no que quero, é eu não viver a vida que planeio antecipadamente, isso não quer dizer que eu desista de planear; que eu desista dos objectivos, desistindo de tudo, e deixando-me à deriva, morto antes do seu tempo, um verdadeiro morto-vivo. O mais importante é que nos mexamos! Porque ao nos mexermos vamos criando coisas lindas! Coisas fantásticas, e vamos dando mais e melhor ao mundo!
E no fim desta travessia, se nos tivermos, ao menos, mexido em prol do objectivo último, iremos ficar tão ou mais felizes, do que se atingíssemos esse obejctivo!

Beijinhos***

PS: WE LOVE YOU VIOLETA! isto é o que o pessoal irá gritar! Olha que tenho um dedo que advinha *.*

PS2: Já disse que adoro esta música? xD **
De ritinha a 9 de Maio de 2007 às 20:06
mais uma vez venho dar-te os parabens pelo teu talento para escrever.admiro-te muito mesmo.
beijinhos
De mímica a 11 de Maio de 2007 às 15:47
Adorei o texto! Está lindíssimo! Eu também me sinto um bocado como a Inês, embora eu esteja a aprender aos poucos e poucos a saborear a vida. É um bocado difícil, porque sou uma rapariga melancólica e triste. Ao recordar-me da minha felicidade que outrora, na infância, tinha faz-me odiar-me cada vez mais e a invejar aqueles momentos de inocência humana.
Dizem para não vivermos do passado (que quem vive de passado é museu), mas a verdade é que é difícil desprendermo-nos e esquecermo-nos duma parte de nós e libertar as asas e voar.

P.S. La Valse d'Amelie é muito bonita!
De vani a 12 de Maio de 2007 às 23:45
o texto esta fantastio.Pelo que vejo esta Ines e uma grande mulher....
parabens amiga...
continua a cativar o teu dom carlovsky
um grande beijo carregado de admiraçao...

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