Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Consider me a satelite forever orbiting

 
Tudo orbitou. O pó exagerado foi limpo da estante mais alta e inatingível, do topo do móvel mais bonito da casa. A estante cobriu-se de ar, de um ar novo mas usado. Nada lhe dará o brilho ingénuo e sem medo, mas ele volta. Não foi por acaso que a estante se ergueu, foi um trabalho árduo e demorado até se conseguir instalar uma torre tão alta… como se fossem legos na mão de uma criança, e qualquer criança tem o seu toque de desajeito, porque não sabe, porque é nova…e tão rápido se ergueu como voltou a cair. Era uma torre bonita, que parecia resistente, embora os dias seguintes lhe fossem mostrar que havia legos melhores e mais caros de se comprar. O mundo tem uma cadeia infinita de coisas, de lugares, de paraísos, que se fazem diferenciar pela qualidade, mas uma casa melhor não deixa de ser uma casa e um quarto com vista para o mar não deixa de ser um quarto … A experiencia leva a um certo tento nas mãos da criança desiludida.Também o pecado nasce, e nasce ingénuo e inconsciente aliado ao desejo que é grande e incontornável, e eu, eu queria o mundo cheio de torres e estantes. Era sempre assim que adormecia, cheia de vertigens, queria o céu e o mar visto de outra perspectiva, queria que o estado de tempo fosse diferente todos os dias do sítio onde o céu me abraça. Queria liberdade.A minha alma sorria se tivesse liberdade suficiente para esquecer os meus falhanços, o meu espírito libertava-se das correntes da mente, impostas pela sociedade que tantas úlceras originam; o meu corpo desalojado preparava-se para se albergar nos cantos de outra estante ainda maior. O pecado consegue isso. É bom estar-se no pecado quando o bem já não tem mais uso possível. E é bom porque se perde o medo de tentar também.Ontem bebi desse pecado vertiginoso. Gole por gole, até chegar à gula da satisfação, da sorte, do desejo, da tentação e ouvi a música que não ouvia há tanto tempo, ouvi o som com o coração e a alma, explodi de felicidade momentânea e senti-me…em casa. Há muito tempo que a certeza jazia em mim de que nunca mais sentiria o palpitar da mesma intensidade que senti, que jamais algum ser da mesma espécie me fazia florescer da mesma maneira que…Mas também parte de mim se esquece que sempre me enganei, e que sempre tudo me induziu em erro mesmo a certeza da certeza. Cheguei mesmo a ouvir um amo-te do outro lado da linha, como se não houvesse amanha, cheguei mesmo a recordar-me do sentimento nostálgico, mas não com pena, afinal não era uma recordação…era mesmo um momento. Atingi o ponto, mais uma vez. E, toda a água fervida arrefece. “E percebi: Eu gosto! Eu adoro! Eu amo todos os que se entregam de tal forma que deixam de ser indivíduos, unos e incompletos.”
publicado por Afonsinetes às 18:48
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Libera-me

 

Libera o mar da sua rotina piedosa e imprevisível, fá-lo crescer, ensina-lhe vida, diz-lhe coisas bonitas, e, depois, apaixona-te pelas suas águas poluídas e carentes da carência ousada de tanto querer. Dá-lhe fogo, sopra-lhe vento, conta-lhe histórias de embalar aos peixes, alimenta-lhe os poros, acaricia-lhe, faz-lhe promessas, conta-lhe o futuro, desilude-lhe a alma, dá-lhe apoio, adiciona carinho à mistura e drama, já agora, dá-lhe razões para continuar, fá-lo desistir…Depois, faz-me isso a mim.

O mar não seria mar, se não tivesse vida sob ele, se não tivesse ondas, barcos, e surfistas que ousam acariciar-lhe o rosto, a espuma branca que por vezes paira, escondendo a não imparcialidade do espírito complexo que lhe pertence por natureza…

Eu, não seria eu, se não vivesse, se não sentisse nostalgia e saudade do passado e ansiedade pelo futuro, se não amasse com todas as minhas forças, se não desistisse de não desistir, se falasse por só falar, se sentisse como quem não sente, se me matasse e renascesse, se não me queixasse, se estivesse satisfeita como quem acaba de comer o seu prato preferido… Nada seria eu, se isto não acontecesse. Nada seria mar, se aquilo não se constasse.

Estou fraca e frágil, pronta para receber algumas coisas que acabaste por dar ao mar, para aprofundar o meu futuro, como uma broca fura uma parede, para cozinhar alguns dos meus estados de espírito, medos, receios e complexos. É agora, não percas tempo!

Marca-me com uma marca idêntica à que os Judeus eram marcados, mas por dentro, faz-me isso, queima-me, viola-me, bate-me, prende-me, apunhala-me, mutila-me e depois, pede-me para andar bem disposta e feliz.

Sou parva e inocente, enquanto isso, vou cantando aquela melodia que me ensinaste, esperando um dia, quando o deixar de ser, que me aguardes com o mesmo sorriso e vontade que me prometeste sempre aguardar.

Libera-me para me aprisionares a todas as tuas garras suaves e ingénuas, desperta-me, inova-me, desenha-me e depois…depois falamos em realidade, em vida, em morte, em desejo, em pecado, em filhos, netos e tios.

Mostra-me a lua, aponta-me o lugar onde me imaginas todas as noites, faz as noites crescerem, faz-me dormir mais horas para que a realidade se torne no que sonho e não no que vejo, acaricia-me, adormece-me e…acorda-me para a vida, que é minha e tua.

Fica comigo, até aquilo que fui, sou e serei já não existir mais.

Não te peço mais nada, aliás, nem te peço nada, esquece tudo o que te disse, pois amanhã já não fará sentido.

Deixa o futuro comigo, eu tratarei bem dele…podes?!

Já agora, faz-me mais bonita também, esculpe-me na escultura perfeita, na semideia e muda ideal, caso contrário cega aqueles para quem eu não sou suficiente. Mente e dá-me veneno. Purifica-me. Mostra-me o outro lado do Mundo num descampado coberto por uma noite estrelada e quente. Passa-me de inocente a culpada.

És perfeito. Encaixas como um puzzle nos meus defeitos e qualidades que, misturados, não dão o sabor desejado e tentador.

Fala comigo, explica-me que a vida não é assim, tenta vezes sem conta, até acabares com a criança que sou. Diz-me sempre a verdade. Faz-me mulher. Beija-me. Arrasta-me para outra prisão, que esta, já não aguento mais…suplico-te.

publicado por Afonsinetes às 21:15
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Hoje...

Li as previsões do tempo para amanhã. Vai chover intensamente e o céu estará nublado. O sol anda deprimido ultimamente, parece que vai ser hipócrita o dia todo. Mas, enfim, também é só mais um dia e nada de excêntrico estava nos meus planos.

 

Olhei para uma foto minha. Tinha quatro anos. Não consegui evitar o olhar penetrante da menina. Os meus olhos focavam-no. Para além de enviarem momentaneamente a imagem ao meu cérebro, deviam estar, também, a verem-se reflectidos.

Não consegui lembrar-me do meu interior naquela altura, apenas me lembrava vagamente de um sítio, onde fui fotografada. Uma memória tão fracturada que já não sei se a sua fonte será fiável nem há maneira de saber.

Que estaria a pensar?!  

 

Acabei por me distrair com o toque do telemóvel, era o meu pai. Definiu-me um número incerto de tarefas e a chamada caiu. Mal ouvi o que disse, ultimamente não me apetece tomar atenção e partido das palavras que lhe saem.

 

Guardo a foto. Não me apetece ficar nostálgica aos quinze anos, nem coisa que se pareça. E, a última coisa que quero ver, são fotos da minha prima, portanto, vou distanciar-me das imagens físicas já que não consigo evitar a memória.

 

Cada vez mais, me sinto segura para achar que existem pessoas perfeitas, com qualidades objectivamente boas.

 

E, a única coisa que sempre pensei ser a mais problemática, está a ser, no entanto, a mais bela de todas. Os nossos sentidos ousam sempre enganar-nos.

 

Volto para a beira da janela, onde me encontrava inicialmente, a observar o tempo de hoje e a previsão de amanhã no televisor. Tanta gente passa por aqui, casualmente. Em mim ficará a memória daquelas que passaram.

Quem sabe, o observador ideal do Mundo e das coisas não esteja numa janela perto de nós, focando-nos o olhar e julgando-nos a cada passo. Nunca ninguém o conhecerá, ele nada faz senão ver-nos. A sorte, essa, dependerá de cada um.

 

A lua apareceu e eu voltei para o meu sofá e refastelada, adormeci.

publicado por Afonsinetes às 20:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Complicações derivadas da questão

Está tudo estagnado. Há muito tempo que me tinha apercebido que não iria haver futuro amanhã. Pelo menos, o verdadeiro significado da palavra “futuro” não é uma continuação de o dia de ontem, não é uma repetição um tanto pouco diferente.

Entrei num novo ano. Tenho a noção de que em trezentos e sessenta e seis dias, alguns desses serão momentos inesquecíveis. Mas eu não procuro meros momentos, muito menos que marquem pela negativa, apenas quero encontrar-me, neste mundo vasto e confuso.

 

Desejo um papel importante nesta vida insignificante, quero a vida eterna embora hajam dias em que não me apetece vivê-la.

A verdade é que eu amo a vida, melhor do que qualquer outro, mas não a minha. A verdade é que eu amo a vida que gostaria de ter e que penso que alguém está a tê-la por mim…

Sinceramente, gostaria de encontrar algo diferente em mim, diferente de todos os seres que me assemelham, mas, para meu desconsolo, até isso é-nos comum. Chamem-me egocêntrica, débil, insana…ou simplesmente, humana! Não me importo com o que me chamarem, afinal a minha estadia por cá, não é eterna.

E nada é eterno, nem sequer um “para sempre até que a morte nos separe” é, porque a vida é injusta. E, porque o Homem é um insatisfeito.

 

A cronologia da minha vida perdeu-se nas curvas. O que apenas deveria aparecer-me só daqui a uns anos, quando já nada interferisse com o livre-arbítrio e com a natureza dos acontecimentos, apareceu-me hoje, ou há uns meses e ainda continua. Como poderei eu segurar isto tudo, até “daqui a uns anos”?! Não poderei, essa seria a resposta lógica. Mas o pensamento mais breve e talvez, o melhor de todos, seria:

“Porque hei-de me preocupar com todos estes assuntos se vou morrer e ser esquecida?”

 

E, agora, a maior crueldade de todas – Como posso viver “o momento” com o medo a correr-me nas veias? E com tantos obstáculos?! Chamar-se-á, a isso, viver?!

O que quer que chamem a isso, é irrelevante quando ontem te senti, e me aqueceste. Quando bebi o champanhe de um só gole e pensei nele, quando sorri porque ouvi a sua voz gravada na minha memória…

 

Estou repleta de coisas dele…nossas, quero eu dizer…Já me habituei aos ornatos, que ele encaixou na minha silhueta pobre que cisma em valorizar. Estão-me cravados na pele, na alma e nos outros adornos próximos de mim.

O amor misturou-se por fim. E fico, então, onde sempre estive, pairada sobre o tempo a tentar adivinhar o sabor final desta nobre solução aquosa..

Amo-te.

 

Ps: Devo ter-me inspirado nuns quantos textos que li, ultimamente ando sem inspiração.

publicado por Afonsinetes às 19:09
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Plenitude

"Devia levantar-me, ir ao quarto dele buscar uma t-shirt e retirar-me para os meus aposentos, como se dizia nos romances antigos, mas estou paralisada de felicidade. É possivel fazer uma vaca subir umas escadas, mas é impossivel faze-la descer. E neste momento eu sou uma vaca no cimo de um patamar de um edificio de noventa andares. Sinto-me embalada numa especie de navegaçao espiritual. No dicionario a palavra mais parecida com isto deve ser plenitude."

 

Margarida Rebelo Pinto

publicado por Afonsinetes às 20:56
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Purgatório de passagem

 

 

   Acordei num dia chuvoso. Cá vou eu mergulhar nas profundezas de um dia superficial…porque mesmo estes dias têm fundo, que é vácuo, que é frustrante.

   Até a má disposição pela rotina…se tornou rotina! FRUSTRAÇÃO não fica só pela cansativa manhã, prolonga-se, gradualmente, e vai atingindo os seus objectivos leve…levemente. Consegue o seu auge á tardinha, quando a mente já não consegue controlar os anticorpos que, coitados, travam arduamente batalhas de melhoramento psicológico. Estes, por sua vez, conquistaram um aliado – o amor, aquele que se infiltra em todas as células e micro células do organismo, que lhes dá um certo som, ritmo, pureza e harmonia. Começa na clave de sol e vai percorrendo todas as notas musicais existentes no universo, vai aquecendo todas as estações e apeadeiros deste meu revestimento, proporciona uma alegria matinal á alma, que forçosamente combate com a pesada e monstruosa tristeza instaurada por uma noite mal passada e um dia mal acordado.

   “Amo-te!”-Transpiro esta palavra tantas vezes ao dia, e não é sempre, porque nem sempre sei que te amo, pois saber isso, é a conclusão de algo, é a palavra final de uma longa reflexão…primeiramente começo por pegar na de ontem, eu amei-te, de seguida parto para a de hoje, vou trabalhando arduamente para chegar ao clímax do sentimento final, e quando sintetizo todas as razões pelas quais sinto tudo isto, ouço ele dizer-me “amo-te” e só a partir desse momento é que todos os momentos serão transpirados daquela forma.

   Estou num corredor, um corredor frio, gelado como a neve, estreito, com quilómetros e quilómetros de distância, é impossível ver o fim, e já mal se vê o início, não há maneira de voltar para trás, porque o tempo também não volta, e porque eu também não quero voltar! Mas, tanto eu como ele, sabemos o fim, ou pelo menos, achamos que sabemos e já achar não é mau, porque há algo no fundo de nós, que é comum, e o desejo é o caminho para as acções. O desejo já não é excessivo, mas sim obsessivo, já não se cria, desenvolve-se, já não se inspira, expira-se, já não se engole, partilha-se…já não é pequeno. E tudo isto confinado a um pequeno e comprido corredor… a um purgatório de passagem.

   Espero que não dure mais do que aquilo que previmos, nem que o corredor se alongue, nem que a estrada seja cortada…

  “Amo-te!” (transpirando, só mais uma vez, aquilo que me passou fugaz na mente.)

publicado por Afonsinetes às 16:11
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

A minha estrela

A minha estrela

 

         Eu tenho uma estrela, pequena, mas brilhante; pequena, mas está a crescer e vai ser muito, muito grande. Tão grande que um dia o Sol não vai ser nada perto do seu esplendor e beleza, inteligência e imaginação, e todas as suas características que lhe dão um toque especial.

         A minha estrela tem ar de menina encantada quando descobre as coisas lindas do Mundo, tem ar de menina a chorar quando descobre que as cores que nos parecem ser vivas, também perdem a cor. Possui um brilho de excitação, curioso nos olhos como os pequeninos que saem do baloiço a correr para ver a formiga caminhar pela parede.

         A minha estrela é clara e luminosa, como um malmequer branco, em que cada pétala brilha junto com o reflexo das pequenas gotinhas de água que enfeitam toda ela, quando a luz sofre metamorfose.

É uma flor frágil, inteligentíssima e que, ao mesmo tempo, nada sabe, é inocente e sincera, tem um sorriso de bebé embalado no berço e voz de música de conto de fadas. Tem um encanto enorme e, talvez, seja por isso que vive dentro de uma estufa bem protegida onde só sai de lá para respirar ar puro de longe a longe, mas quando fica contente por receber a bênção da natureza, tem que voltar para a estufa. Pobre flor sem liberdade por ter tanto valor e olfacto para a novidade.

A minha estrela é uma pessoa, uma pessoa não… É uma musa! É a melhor do Mundo e sei que com ela posso sempre contar. Está longe e ao mesmo tempo tão perto, como se fosse o vento que me bate na cara a cada momento.

Todos os dias contemplo-a à distância e, quando as saudades apertam, meto-a no bolso e vou passear com ela, segredando-lhe aqui e acolá as notícias que se ouvem por aí e que a privam de ouvir. Por vezes, também sonho com ela, desejosa por lhe contar a vontade que tenho de nos metermos num avião e irmos até Paris as duas, reencontrar lá mais uma e terminar esta história com um abraço a três.

Eu tenho uma estrela que brilha no céu todas as noites e que vem poisar na beira da minha janela, desejando-me os melhores sonhos e dizer que me ama.

A minha estrela é ela, a minha melhor amiga, a melhor pessoa do Mundo.

 

 

Amo-te Afonsa. És a minha estrela.

                                                              Diana Machado

publicado por Afonsinetes às 19:57
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007

"Qualquer coisa, porque às vezes qualquer coisa serve"

 

 

 

Estou na terceira semana de aulas e já não aguento mais nenhuma aula de história. Comecei bem de facto, melhor não poderia ter começado!

Fico nostálgica quando olho para todos os cantos da sala de aula e não vejo quem eu queria encontrar...alegria e ânimo inesquecíveis.

Não há empatia, não há ligação, acabou a palhaçada, bem-vinda seja a seriedade!  

O vazio persegue-me. A solidão persegue-me.

Saio da sala para o exterior, daqui a dez quinze minutos volto outra vez ao ciclo...Dez ou quinze minutos para assassinar toda a revolta e saudade dos velhos tempos.

Antes de chegar a casa, vou preparando o meu sorriso superficial para poder ter alguma paz, no sítio onde durmo. Um sorriso que não sabe a nada, apenas uma estratégia, uma rotina...

"-Como foi o teu dia querida?" "-Bom..." Na realidade, não passou de outro dia pútrido agoniado de saudade, fúria e desprezo.

Descarrego a mochila, fisicamente estou mais leve, sento-me, ligo o meu computador, procuro-o...ali sei que posso encontrar a minha dose de morfina diária, o meu medicamento, a minha metade, o que me completa, o que eu mais quero de momento.

Talvez ele não tenha essa noção, mas não há um segundo em que não pense nele...finalmente sinto-me livre de o dizer. Já não receio o que ele possa pensar...Não há nada como a liberdade de expressão...ou simplesmente, como a liberdade!

Luto diariamente contra os meus desejos, vou aprendendo com muita dificuldade a engoli-los...

Quero fugir...

publicado por Afonsinetes às 23:12
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

Momentos, tempo e outras coisas que tais

 

Conhecem aqueles momentos críticos que surgem por razões diversas em que pensamos na essência da nossa existência?! Momentos cheios de perguntas e feitos delas, recheados de dúvidas, preocupações e até momentos em que nos apercebemos que padecemos de um problema bem grave, a falta de fortuna, conhecem?!
Há situações em que nos sentimos vaidosos, necessários neste mundo robusto e farto, sentimo-nos únicos no meio de tanto invulgar vulgar, como se todos os amanhãs tivessem de fazer sentido nesta vida cíclica…são momentos gloriosos, dos quais toda a vida poderia ser feita…
Também os há, aqueles que são tudo menos bons momentos, por mais parado que tenha sido o dia, a nossa mente consegue sempre captar algo melancólico para acabarmos o dia de forma dramática. Ontem tive um desses. Dei por mim a pensar no que não tinha sido vivido como se estivesse nos minutos anteriores à minha morte…A pensar no que não tinha aproveitado com a minha prima, no que poderíamos ter vivido já nestes meses, na imensidão de coisas importantes para lhe contar, como por exemplo, a amizade bestial que fiz com ele, sim…era mesmo isso, queria contar-lhe o quão feliz estou por tê-lo encontrado, ele completa-me de uma forma como ninguém me completou até hoje…estou mesmo feliz. Entristece-me saber que não lhe posso contar todo este meu êxtase como nos velhos tempos…
Cheguei à conclusão que não é a morte que nos assusta mas sim o medo do que ficou por viver acabar ali em vão. (e não é a mesma coisa?!) É curioso que em minutos como aqueles, pensamos sempre que tínhamos toneladas de coisas por viver e fazer…
Estava, então, nesse estado crítico, quando liguei o televisor e fiquei a ver um filme, era um filme romântico, daquelas histórias que só acontecem mesmo nos filmes sabem?! Dois seres de uma beleza invejável, corpos lindíssimos, muito romântico mesmo…enfim!
Estava cansada, esgotada, não é que tivesse tido um dia difícil, é pelo simples facto de estar rodeada pelos meus pais e ser simplesmente ignorada. Pelo simples facto de fingirem que não se passa nada e que a família continua normal. Nos únicos momentos em que não sou ignorada, estou a ser julgada de forma rude e cruel, como se fosse um objecto, até desconfio que são melhor tratados.
Já deitada, pensava nisto tudo, em simultâneo com o filme.
Estou a pagar um preço muito alto pela felicidade da minha tia, e não só…ando a pagar muitas contas, infelizmente. Mas não quero voltar a pensar nisto.
Outra coisa que me irrita profundamente é a falta de privacidade. Odeio o simples facto de estar sempre a esconder janelas de conversação do msn e de outras coisas do género. Se eu disser que me irrita, é pouco, simplesmente não aguento mais isto…
Só para terem a ideia do quanto é mau para mim, imaginem que não podem telefonar à única pessoa que vos dá ansiedade do amanhã?! Imaginem que têm de ocultar a existência dessa pessoa àquelas que vêm todos os dias, que moram convosco, não se sentiriam sozinhos?!
Depois desta revolta e fúria terem dado a mão e feito pensamentos infinitos, dei por mim a imaginar um dia novo com a minha prima, o que lhe diria, o que faríamos…enfim, acho que nunca estive tão débil mental como agora.
Acabei essa ilusão com a frase dele “tens de preencher esse vazio e andar para a frente”, sosseguei-me, respirei fundo e acalmei-me…de repente pus-me a pensar no efeito que ele tinha em mim…acabei com ansiedade, fúria…pois apetece-me já ultrapassar a dimensão do computador e ir ter com ele. Mas não, não dá, estou presa!
sinto-me: completamente frustrada
música: Lithium -Nirvana
publicado por Afonsinetes às 18:06
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|
Domingo, 26 de Agosto de 2007

"Duas Cabeças Pensam Melhor do Que Uma"

Cada dia é igual a qualquer outro neste recinto fechado que me prende para me libertar da reduzida e ínfima parte de diálogo familiar a que tenho direito.

Não importa o que penso, ou até mesmo como me sinto, como se estas duas coisas fizessem parte doutro planeta, doutra cultura, é utópico se disser que fazem sentido aqui.

E a única coisa que faria sentido numa vida assim, seria um dia diferente, e sei que ao teu lado nenhum dia seria igual.

Revolucionar é saudável, e por vezes, mesmo que não haja razão para tal, continua a o ser.

Amanha vai ser uma cópia de hoje, sentirei de novo a tua falta e saberei que enquanto não esperar nada da vida, nada vai trazer uma normalidade ao normal…

No momento em que respiro, penso “estou viva”, justamente e apenas os actos da inspiração e expiração me garantem tal facto. Pensar vezes sem conta num futuro idealizado e promissor garante a ansiedade de um amanhã longe que para que tal prémio seja concebido terei eu de sobreviver tantos outros amanhãs infames nesta ingloriosa caminhada.

Oh Deus, porque serei eu merecedora de tão baixa realidade? Porque serei eu merecedora de tão pouca liberdade? Porquê eu?!

 

 

Porquê? Respondo-te porquê! Porque transpiras beleza, porque resplandeces numa noite de verão, quente, seca e iluminada pela lua! Porque és tão bela que a vida rói-se de ciúmes de ti! E então prende-te, qual bruxa apavorada prende a linda princesa!

Mas tu és grande! Não tardas a soltar-te! Não tardam a fazer justiça contigo! Para breve está a tua estreia! Para breve está a altura em que o mundo te vai poder beber e respirar o quanto quiser!

Não aflijas nestes dias mais obscuros da tua vida, pois como alguém já me disse: “É das nuvens mais escuras que cai a chuva mais límpida”. Aproveita tudo o que a vida deixar escapar para ti! Suga toda a felicidade e toda a alegria do tutano deste mundo infame! Que aí sim serás recompensada, pois só quem passa pelas provas mais difíceis, alcança os seus sonhos mais profundos e idealizados!

Não desesperes, dá-me a mão, mesmo que seja de brincadeira, como os putos, e vem por esse mundo fora, imagina-te nos melhores sítios e depois transporta o que de melhor esses sítios têm para este local triste e envolto nas trevas.

Pinta o teu mundo da cor que pretendes. E ele acabará por se tornar dessa cor! A mudança começa na nossa mente!

sinto-me: 907 dias
publicado por Afonsinetes às 23:00
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|

=
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31

=

=

=< Consider me a satelite fo...

=< Libera-me

=< Hoje...

=< Complicações derivadas da...

=< Plenitude

=< Purgatório de passagem

=< A minha estrela

=< "Qualquer coisa, porque à...

=< Momentos, tempo e outras ...

=< "Duas Cabeças Pensam Melh...

=

=< Maio 2008

=< Fevereiro 2008

=< Janeiro 2008

=< Novembro 2007

=< Outubro 2007

=< Setembro 2007

=< Agosto 2007

=< Julho 2007

=< Junho 2007

=< Maio 2007

=< Abril 2007

=< Março 2007

=< Fevereiro 2007

=< Janeiro 2007

=< Dezembro 2006

=< Outubro 2006

=< Setembro 2006

=< Agosto 2006

=< Julho 2006

=< Junho 2006

=

=< todas as tags

=

=

=< participe neste blog

Visitas:

blogs SAPO

=